Os ventos de mudança precisam virar tempestade | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 29 de março de 2017

Os ventos de mudança precisam virar tempestade




Na noite de hoje (quarta-feira, 29), a Câmara dos Deputados apreciou a PEC que visava alterar o artigo 206 da Constituição Federal que proíbe a cobrança de mensalidades em instituições públicas. Com 304 votos favoráveis e 139 contrários, a PEC não alcançou o mínimo (308 votos) para ser aprovada para alterar a redação constitucional. Ela buscava liberar a possibilidade de cobrança de mensalidades em universidades públicas para os cursos de pós-graduação lato sensu.

Isso representa mais uma vitória contra a junta golpista de Michel Temer que havia “adotado” a proposta. O governo já sofreu outro revés depois das manifestações do dia 15 de março que levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas em todo o Brasil contrários à destruição da Previdência social. Pretendia votar em primeiro turno a PEC 287 ontem, no dia 28 de março. As mobilizações populares foram capazes de adiar a votação da contrarreforma da Previdência. Além disso, uma parte dos senadores peemidebistas (com o oportunista Renan Calheiros a frente) também se declararam contra a sanção da Lei das Terceirizações, por que esta “dificulta” a aprovação da PEC 287. Tanto a PEC derrotada quanto a Lei das Terceirizações, apesar de aprovada, serviram de "ensaios" para a aprovação da pauta capitalista mais importante que é a Contrarreforma da Previdência. O governo golpista está em refluxo. Com esse tipo de quórum, a PEC da Previdência não passa, mas as negociatas, acordos e chantagens estão sendo costurados no campo da direita. É visível que estamos ganhando novamente as ruas, como atestaram o dia 8 de março e o dia 15 em comparação com o fracasso vergonhoso dos atos de rua puxados pelo MBL no dia 26. Mas a situação nacional como um todo ainda permanece desfavorável. A ofensiva golpista tem reservas de força a serem acionadas. Só a continuidade e intensificação da luta de massas, de baixo para cima, pode derrotar o projeto fascistizante do movimento golpista. A decisão das "Centrais" de adiar a greve nacional para daqui a quase um mês tem um efeito de desmobilização. A generalização da luta exigirá energia redobrada na mobilização de baixo para cima. 

Quanto às esperanças contraditórias que muitos acalentam de uma saída na eleição presidencial de 2018, é necessário ter claro que além da terra arrasada até lá, se o movimento golpista continuar com capacidade de iniciativa, certamente implantará o parlamentarismo e uma contrarreforma política hiper-reacionária.

O avanço das mobilizações e as vacilações do bloco dominante são sintomas evidentes de que a correlação de forças entre as classes dominantes e o bloco de todos os explorados e oprimidos está mudando de balanço. “Tudo que é sólido se desmancha no ar”. É fundamental que as organizações progressistas e revolucionárias jamais se deem por satisfeitas, mas sim intensifiquem mais e mais as mobilizações, a organização, os enfrentamentos combativos de classe até não sobre pedra sobre pedra desta junta golpista. Derrotar a junta golpista implica em enfrentar decisivamente todos os escusos interesses dos monopólios nativos e estrangeiros, associados ao imperialismo e ao latifúndio. Só a luta muda a vida, mesmo que demore, a vitória é possível e necessária!