Rio de Janeiro sitiado | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Rio de Janeiro sitiado


O estado do Rio de Janeiro, segundo mais rico do país ficando atrás somente de São Paulo, vive uma intensa crise econômica, social e política desde o ano de 2016. Já virou rotina os jornais noticiarem a situação caótica do estado: atraso no pagamento de servidores públicos, hospitais entregues à organizações sociais corruptas, violência e morte de trabalhadores, Universidades de excelência internacional sendo sucateadas. O estado vive uma situação de deliberado abandono e caos, o governo estadual é ineficiente e corrupto servindo aos desmandes da ordem vigente optando por colocar nas costas dos trabalhadores a conta da crise como faz com o funcionalismo público que está sem receber salário há mais de quatro meses.
Com a intensa crise e as medidas neoliberais que nada resolvem o problema, o desemprego continua a aumentar, segundo a PNAD do IBGE o número de desempregados no RJ é um dos maiores do país, chegando a 1,3 milhões de trabalhadores, equivalente a 15% da população ativa do estado, só no primeiro semestre de 2017 o estado perdeu cerca de 400 mil postos de emprego. Sem contar que com o fechamento de empresas por conta da Lava Jato e das políticas privatistas do governo golpista Temer (PMDB/PSDB) o Rio foi um dos estados mais afetado, principalmente por conta da indústria Naval, que vive sob constante ataque e desmonte assim como a Petrobrás. Importante lembrar que o RJ é o maior polo desse ramo no país, perdendo assim mais de 40 mil posto de trabalho na área, bem como a diminuição de atividades produtivas ligadas ao petróleo e gás.
Pode parecer exaustivo num primeiro momento demonstrar alguns desses dados, todavia eles nos servem para compreender um pouco do caos social que o Rio de Janeiro vive: uma população sem emprego e que quando o tem está em situação de precariedade, com serviços públicos destruídos, perspectiva de futuro incerta, violência em números recordes e noticiários com escândalos diários de corrupção entre o governo passado e o atual. Tudo isso serve para explicar um pouco da situação na qual o estado e a cidade vivem, devemos lembrar que a intensificação da destruição dos serviços públicos e do ataque aos postos de trabalho é parte da política golpista e pró-capital do governo PMDB, tanto a nível local como nacional.
Não podemos deixar de denunciar a situação caótica que vive a Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, apesar de ser a segunda maior Universidade pública do estado e ser considerada uma das 10 melhores do Brasil, vive constantemente ameaçada com os cortes de verba, atraso do pagamento de seus professores e técnicos e pasmem, ameaçada de fechamento como resultado da negociação de salvação econômica do estado, entre governo o governo local e o governo federal. Um claro ataque ao direito das classes trabalhadoras de estudar, haja vista que a UERJ foi a pioneira na implementação das cotas e hoje é uma universidade que tem um perfil sócio econômico mais popular do que as outras, como maioria de estudantes trabalhadores. É fundamental compreender que o desmonte da UERJ está de acordo com aquilo que defende a classe dominante em nosso país; a privatização como objetivo final e o intuito desta equação é que o povo pobre tenha de pagar pra estudar.
Outra questão que chama a atenção nacional é a intensa violência e os conflitos nas favelas cariocas. Há cerca de um mês observamos o intenso conflito na favela do Jacarezinho, na Zona Norte da cidade, que foi sitiada ao longo de uma semana pela polícia militar, por conta da morte de um polícia civil.  A favela ficou sem luz, sem a já precária coleta de lixo e com escolas fechadas, deixando mais de 10 mil crianças sem aula. Agora observamos atônitos os conflitos na favela da Rocinha, localizada na Zona Sul da cidade, região considerada “nobre” e turística, primeiro o conflito entre a própria facção que comanda o local, chegando ao ponto de ter um intenso tiroteio e invasão em plena luz do dia, deixando a favela sem luz e em alerta. Foi vazado para a imprensa que a polícia e o governo sabiam do conflito e da invasão, mas nada fizeram pelo povo pobre e favelado, pra completar a crise na Rocinha existe uma sede de uma unidade de polícia pacificadora – UPP, carro- chefe da política de segurança do agora presidiário Sérgio Cabral (PMDB).
Recentemente, assistimos a mais uma invasão, agora por parte do estado com ajuda do governo federal via exército, 900 homens do exército com blindados e polícias civis e militares fizeram um cerco na Rocinha para sua invasão, fala-se em um banho de sangue. Sambemos o real sentido dessa operação de “pacificação”, ela visa a paz dos cemitérios para uma favela que fica próxima a bairros de elite da cidade e de pontos turísticos, não há preocupação alguma com o bem estar do morador local e sim com os negócios do “asfalto”. Todo revolucionário deve denunciar o caráter racista, higienista e anti-popular desse tipo de operação, que tem aumenta com o governo golpista e só aumentarão enquanto a burguesia estiver no poder. É preciso denunciar o caráter assassino do que faz a polícia no Rio de Janeiro e erguer-nos em luta pelo povo pobre trabalhador da cidade e país.
Em síntese, é preciso denunciar que a situação do Rio de Janeiro serve de laboratório de implementação das políticas econômicas e de destruição do governo golpista do PMDB/PSDB, desde as privatizações até cortes em legislações trabalhistas e sociais. Não só isso, mas também o ataque a cultura negra e periférica, como podemos ver na restrição por parte da prefeitura governada pelo Bispo prefeito Crivella, onde o mesmo vem buscando restringir rodas de samba e atacar a liberdade e o financiamento do carnaval, não apenas das grandes escolas de samba, mas sim e de forma mais intensa dos blocos de rua. Tais fatos só comprovam que o golpe é capitalista. racista e patriarcal assassina o povo e a juventude negra e periférica. Nosso dever enquanto comunistas é de lutar por uma sociedade justa e igualitária, onde exista a socialização dos meios de produção e não a disseminação da pobreza de muitos enquanto poucos usufruem da riqueza. Toda força ao povo pobre e favelado do Rio de Janeiro. Venceremos!